Uma ofensiva de gastos do Palácio Iguaçu direcionou R$ 45,6 milhões dos cofres públicos para a contratação de espaços em feiras agropecuárias, festas municipais e rodeios em apenas três meses. O volume financeiro expressivo é acompanhado por um padrão administrativo que driblou a concorrência pública na quase totalidade dos processos.
Exceção virou regra: 292 contratações diretas
Dos 294 contratos firmados pelo Governo do Paraná para eventos no período analisado, 292 foram executados sem licitação. O mecanismo de inexigibilidade ou dispensa, previsto na legislação apenas para situações excepcionais, tornou-se o padrão operacional da máquina estadual para o setor de eventos.
- R$ 45,6 milhões empenhados no intervalo de 90 dias
- 99,3% dos acordos firmados sem processo licitatório (292 de 294)
- Mesmo fornecedor contemplado 16 vezes no mesmo trimestre
- Distorção de 335 vezes no valor pago pelo metro quadrado
Discrepância de 335 vezes no metro quadrado
A ausência de disputa de preços abriu margem para oscilações extremas nos custos unitários. A apuração identificou que o valor pago pelo metro quadrado das estruturas variou até 335 vezes entre contratos similares, evidenciando a falta de critérios objetivos e de tabelamento técnico na aplicação das verbas.
Além das discrepâncias tarifárias, a concentração chamou a atenção dos órgãos de controle. Um único fornecedor faturou 16 contratos consecutivos dentro da mesma janela temporal, consolidando um canal preferencial de execução orçamentária.
“A repetição sistemática de contratações diretas e a oscilação tarifária injustificada acionam o alerta máximo nos tribunais de contas para possível sobrepreço e direcionamento.”
Articulação no interior e pressão nos órgãos de controle
Nos bastidores de Curitiba, a estratégia é lida como uma operação de irrigação financeira para bases eleitorais no interior do estado, tradicional reduto do agronegócio e do circuito de feiras. Contudo, o ralo orçamentário exposto pela falta de concorrência já movimenta deputados de oposição na Assembleia Legislativa (Alep) e deve provocar pedidos formais de auditoria junto ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR).