A última rodada da pesquisa Quaest antes da reta final do primeiro turno consolida uma dinâmica de polarização estrita e recuperação milimétrica para o Palácio do Planalto. Na simulação de segundo turno, Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro registram 42% das intenções de voto cada. No primeiro turno, o petista lidera com 39%, seguido pelo senador com 34%, enquanto indecisos recuaram para 5% e o voto útil caiu para 12%.
A anatomia da reação governista nos segmentos-chave
A estabilização do presidente da República decorre de avanços específicos em três recortes demográficos cruciais mapeados pelo levantamento. Entre as mulheres, o empate observado há quinze dias transformou-se em uma dianteira de nove pontos percentuais para o incumbente. O receio da volta da família Bolsonaro ao Executivo expandiu-se entre o público feminino, aprofundando o fosso de gênero que marca o pleito.
- Voto feminino: Vantagem de 9 pontos percentuais para Lula, revertendo a igualdade numérica anterior.
- Baixa renda e Bolsa Família: Domínio ampliado para 59% contra 27% de Flávio Bolsonaro entre beneficiários.
- Segmento católico: Abertura de 13 pontos em favor de Lula, atingindo o melhor índice desde meados de agosto.
- Rejeição e potencial: Rejeição a Lula oscilou para 54% contra 56% de Flávio; potencial de voto petista foi a 46% contra 43% do adversário.
Impacto imediato da agenda microeconômica e regulatória
A recuperação nas bases populares coincide diretamente com o anúncio de medidas com apelo direto ao orçamento doméstico e à saúde pública. O endurecimento das regras contra apostas esportivas eletrônicas alcançou 62% de aprovação geral, perfurando bolhas de renda mais alta. Já o reajuste do Bolsa Família e o fornecimento de canetas emagrecedoras pelo SUS obtiveram aprovação de 59% e 58%, respectivamente, com tração máxima nas faixas de menor renda.
“A redução do saldo negativo da gestão federal de seis para três pontos percentuais recoloca a probabilidade estatística de reeleição do incumbente acima da marca de 50%.”
Gargalos de avaliação e dados técnicos
Apesar do fôlego renovado, a avaliação pessoal de Lula ainda registra saldo negativo de sete pontos percentuais, patamar historicamente desafiador para quem busca um novo mandato. O levantamento da Quaest foi realizado entre 24 e 27 de setembro com 2.004 eleitores presenciais. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com índice de confiança de 95% e registro oficial no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-6520/2026.