A Polícia Federal informou neste domingo que tem condições de enviar cópias dos dados extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro aos gabinetes do Supremo Tribunal Federal que solicitaram o material, antes do julgamento marcado para a próxima terça-feira (15) sobre uma possível investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes.
A resposta atende a uma exigência do presidente do STF, Luiz Edson Fachin, que no sábado (12) deu 24 horas para a corporação detalhar como o aparelho apreendido na Operação Compliance Zero — que investiga fraudes bilionárias do Banco Master — está sendo guardado.
Em nota, a PF garantiu que tanto o celular quanto a extração original de dados nunca deixaram suas dependências e permanecem sob custódia segura.
A corporação também esclareceu que o material enviado em março ao gabinete do ministro André Mendonça, relator de processos ligados ao caso Master, era apenas uma cópia dos dados — não o aparelho original —, e que o envio atendeu a um pedido formal daquele gabinete.
Segundo a PF, a instituição mantém compromisso com a cadeia de custódia das provas e se colocou à disposição do STF para prestar novos esclarecimentos ou realizar perícias que confirmem a integridade dos arquivos.
O caso ganhou urgência porque ministros do Supremo travam uma disputa pelo acesso integral ao conteúdo do iPhone 17 Pro apreendido com Vorcaro. Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes cobraram de Fachin acesso ao espelhamento completo do aparelho.
Zanin argumentou que o plenário precisa conhecer todo o contexto das mensagens para julgar o caso, lembrando que a defesa do próprio Vorcaro já teve acesso ao conteúdo completo. Moraes reforçou o pedido, afirmando que a escolha de quais documentos chegam ao colegiado não pode ficar a critério de um único relator.
Já Gilmar Mendes alertou que manter os dados restritos ao gabinete de Mendonça compromete a paridade entre os ministros e pediu que, caso o relator não liberasse os arquivos, a Presidência os requisitasse diretamente à PF.
Mendonça, por sua vez, alegou que o material sob sua guarda é uma cópia de segurança criptografada e lacrada, destinada a servir de contraprova caso o original se perdesse, e afirmou nunca ter tido acesso ao seu conteúdo.
A sessão de terça-feira deve analisar o relatório da PF que identificou mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes.
Com informações do G1.
