O resultado das urnas no Paraná para a Câmara dos Deputados consolida uma reconfiguração profunda na representação do estado em Brasília. Metade das 30 cadeiras paranaenses será ocupada por novos nomes a partir de fevereiro de 2027, um índice de renovação de 50% superior ao registrado em 2022, quando 11 novos parlamentares foram eleitos.
O fenômeno do Novo e o empate entre PL e PT
O principal destaque individual do pleito foi o estreante Jeffrey Chiquini (Novo), que alcançou a marca de 425.399 votos, tornando-se o deputado federal mais votado da história do estado. O desempenho puxou a legenda, que não possuía representação e agora passa a contar com quatro cadeiras, impulsionada também pela votação expressiva de Guilherme Kilter (269.832 votos).
Apesar do crescimento do Novo, o Partido Liberal (PL) e o Partido dos Trabalhadores (PT) dividem o posto de maiores bancadas individuais, com cinco deputados federais cada. Pelo PL, o Sargento Fahur garantiu a reeleição com 242.643 votos, figurando como o terceiro mais votado no cômputo geral. O partido ganha tração extra na articulação federal alinhado ao Palácio Iguaçu, após a vitória de Sergio Moro para o governo estadual.
- PL (5 cadeiras): Sargento Fahur, Rosangela Moro, Vermelho, Delegado Francischini e Ricardo Arruda.
- PT (5 cadeiras): Ana Júlia, Zeca Dirceu, Renato Freitas, Carol Dartora e Arilson Chiorato.
- Novo (4 cadeiras): Jeffrey Chiquini, Guilherme Kilter, Henrique Mecabô e Paulo Martins.
- PSD (4 cadeiras): Beto Preto, Paranhos, Leandre e Luizão Goulart.
- PP (4 cadeiras): Ricardo Barros, Toninho Wandscheer, Tião Medeiros e Marcelo Belinati.
- Republicanos (2 cadeiras): Pedro Lupion e Newton Bonin.
- Podemos (2 cadeiras): Felipe Francischini e Da Costa do Perdeu Piá.
- União Brasil (2 cadeiras): Delegado Matheus Laiola e Paulo Litro.
- PV (1 cadeira): Aliel Machado.
- MDB (1 cadeira): Sergio Souza.
Baixas de peso e derrotas estratégicas nos bastidores
Dos 24 deputados que tentaram a reeleição, nove foram derrotados nas urnas. Figuras com longa trajetória parlamentar não atingiram quociente suficiente para retornar a Brasília, incluindo o ex-governador Beto Richa (PSDB), Luciano Ducci (PSB), Dilceu Sperafico (PP) e Luiz Nishimori (PSD).
Nas disputas majoritárias paralelas, os resultados redesenharam lideranças partidárias. Enquanto Filipe Barros (PL) conquistou a vaga no Senado Federal, a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, terminou em quarto lugar na corrida senatorial. No PSD, Sandro Alex foi derrotado no segundo turno na disputa ao Executivo estadual.
“A bancada do Paraná em 2027 terá um perfil mais ideológico e polarizado, onde o capital eleitoral migrou dos caciques tradicionais para nomes com forte apelo digital e bases segmentadas.”
Articulação em Brasília e governabilidade
A correlação de forças aponta para um bloco paranaense de oposição fortalecido contra o governo Lula no Congresso, comandado pela soma de parlamentares do PL, Novo, PP e Republicanos. Ao mesmo tempo, o PT assegurou renovação interna com nomes como Ana Júlia e Renato Freitas, que assumirão papel combativo na defesa das pautas governistas na Câmara dos Deputados.