O conceito de peste emocional foi desenvolvido pelo psiquiatra e psicanalista Wilhelm Reich, sobretudo em Psicologia de Massas do Fascismo (1933) e Escute, Zé Ninguém (1948). Reich o empregou para nomear um padrão de comportamento irracional e destrutivo que se propaga socialmente como uma epidemia, contaminando relações, instituições e a própria política.
Conceito de peste emocional
A peste emocional nasce da blindagem do caráter: a couraça muscular e psíquica que impede o indivíduo de sentir sua própria vitalidade e sexualidade. Incapaz de tolerar a vida alheia, o portador da peste ataca, difama e persegue quem expressa saúde, liberdade e afeto, sempre sob a aparência de virtude, moralidade ou patriotismo.
Suas características incluem rigidez, autoritarismo, misticismo, inveja e ressentimento: destrói em nome do “bem”, convencido de sua própria retidão.
A implicação central é que o fenômeno não é individual, mas de massa. Reich identificou no fascismo a peste emocional organizada politicamente, quando líderes autoritários mobilizam couraças coletivas para canalizar agressividade contra bodes expiatórios.
Correlação com a campanha política
A campanha brasileira de 2026, com primeiro turno em 4 de outubro e disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, é descrita pela imprensa como a mais polarizada da história, marcada por clima negativo, conflitos institucionais e alta rejeição.
Nela, a peste emocional se manifesta em discursos que demonizam o adversário como ameaça existencial, em apelos ao medo e ao ressentimento e em narrativas conspiratórias que moralizam a agressão.
Isso influencia a percepção pública ao ativar couraças pré-existentes: eleitores com estruturas rígidas ressoam com mensagens que legitimam a hostilidade como virtude, e o voto deixa de ser deliberativo para se tornar identitário e tribal.
O comportamento resultante inclui bolhas informacionais, confirmação seletiva, idealização do líder, desumanização do oponente e, paradoxalmente, apatia e abstenção diante do clima negativo.
Conclusão
A peste emocional ajuda a explicar por que a disputa se torna tão visceral e por que a racionalidade cede à emoção. Reconhecê-la, em si e no debate público, é o primeiro passo para uma cidadania mais crítica, capaz de reduzir a desumanização do adversário e fortalecer a democracia.
Texto de opinião da coluna Diálogos Lunáticos (Mente e Saúde). Expressa a visão do autor, não necessariamente a do Brasil em Foco 24H, e tem caráter informativo: não substitui orientação médica ou psicológica.