O Supremo Tribunal Federal entrou em uma fase de paralisia institucional sem precedentes recentes. A ofensiva de André Mendonça, que formalizou pedido de apuração contra Alexandre de Moraes por suposto abuso de poder, implodiu qualquer tentativa de pacto de não agressão nos bastidores da Corte.
Retaliação mútua e uso de relatórios de inteligência
A ala ligada a Moraes interpreta a peça de Mendonça como resposta direta à inclusão de relatórios de inteligência que atingiram a condução do ministro nos casos Master e INSS. Do outro lado, aliados de Mendonça sustentam que a medida apenas escancara a instrumentalização política de órgãos de investigação.
- Relatório da PF cita 52 mensagens interceptadas entre Daniel Vorcaro e Moraes.
- Sessão tumultuada de 15 de setembro foi suspensa por pedido de vista de Flávio Dino.
- Dino pediu apuração sobre conexões entre Banco Master, Instituto Iter e concessões funerárias em SP.
- Julgamento previsto para o dia 23 foi retirado de pauta para definir eventual unificação dos processos.
“Não há espaço para construção de saída negociada enquanto cada ala utilizar a máquina processual para emparedar o adversário.”
Fachin sob pressão e a tática do adiamento
O presidente do tribunal, Edson Fachin, tornou-se o principal alvo da pressão interna. Sua aposta em interlocuções bilaterais, sem uma articulação de colegiado, expôs a falta de coesão interna. Ministros influentes já o aconselharam a segurar qualquer decisão terminativa para depois das eleições.
Desfecho empurrado para o recesso
Com o prazo regimental do pedido de vista de Dino se esgotando apenas em dezembro, o STF caminha para transferir todas as definições estruturais para 2025. Até lá, a Corte operará sob fogo cruzado, com pedidos de investigação cruzados congelados e desconfiança mútua ampliada.