A Polícia Federal mapeou um esquema de pagamentos em dinheiro vivo operacionalizado pela lobista Roberta Luchsinger para abastecer contas de servidores do alto escalão do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS). O fluxo financeiro ilegal antecedeu a assinatura de um contrato público entre a pasta comandada por Wellington Dias e um empresário de tecnologia representado diretamente pela lobista.
O roteiro do dinheiro vivo e a manobra anti-Coaf
Mensagens extraídas do celular de Roberta comprovam que, em 2 de junho de 2023, ela acionou seu motorista e auxiliar direto, Ulisses Barbosa, para recolher R$ 60 mil em espécie guardados em seu quarto. O plano inicial sofreu ajustes operacionais imediatos para burlar os sistemas de monitoramento financeiro do Banco Central.
Diante do alerta do motorista sobre os questionamentos bancários para depósitos vultosos, a lobista orientou o fracionamento do montante em múltiplos repasses de R$ 20 mil. Os beneficiários identificados pelos investigadores foram Ranniêr Costa Ciríaco, então secretário-executivo adjunto da pasta, e José Martinho Ferreira de Araújo, coordenador do cerimonial do ministro.
- R$ 60 mil em espécie retirados de sacola no quarto da lobista em Brasília
- Divisão em repasses de R$ 20 mil para evitar o radar de controle do Banco Central
- Destinatários diretos: secretário-executivo adjunto e chefe de cerimonial do MDS
- Movimentação paralela de R$ 2,3 milhões nas contas do motorista entre 2022 e 2025
Conexão ministerial e desdobramentos na Esplanada
Seis meses após a distribuição do dinheiro em espécie, o Ministério do Desenvolvimento Social firmou contrato com o empresário de tecnologia assessorado por Roberta. As apurações correm no âmbito de três inquéritos da PF que investigam suspeitas de corrupção e tráfico de influência, apuração que também mira a relação da empresária com Fábio Luís Lula da Silva.
“A defesa de Roberta Luchsinger classificou as apurações como vazamentos ilegais sem comprovação, enquanto a cúpula do MDS mantém silêncio institucional sobre os depósitos e a contratação.”
Pressão política sobre Wellington Dias
A confirmação documental dos depósitos fragiliza a blindagem política do ministro Wellington Dias no Congresso. A PF intensificará a quebra de sigilo financeiro sobre as contas intermediárias para rastrear a extensão dos repasses e identificar eventuais novos contratos públicos obtidos pelo grupo na Esplanada dos Ministérios.