O senador Sergio Moro (União Brasil-PR) adotou a estratégia do silêncio seletivo ao ser confrontado sobre episódios que constrangem a ala bolsonarista no Congresso. Questionado sobre o voo de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na aeronave do banqueiro Daniel Vorcaro e os contratos milionários do Banco Master com figuras ligadas ao Partido Liberal, o ex-juiz preferiu desviar a rota e concentrar munição no presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A blindagem mútua nos corredores do Senado
A postura reflete o pragmatismo eleitoral que hoje dita o comportamento da oposição em Brasília. Moro, que construiu sua carreira pública sob a bandeira do combate irrestrito à corrupção e da rejeição a privilégios políticos, agora mede palavras quando as suspeitas atingem o núcleo do clã Bolsonaro.
- Voo de Flávio Bolsonaro no jatinho particular de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
- Repasses de R$ 61 milhões envolvendo a instituição financeira e a órbita do presidenciável do PL.
- Manobra discursiva de Moro para converter temas incômodos em ataques imediatos à gestão petista.
Nos bastidores do Paraná, o cálculo de Moro é evidente: confrontar Flávio Bolsonaro significaria romper com o eleitorado conservador que sustenta seu mandato e que é peça-chave para seus planos estaduais em 2026. A prioridade passou a ser a coesão do bloco de oposição, mesmo que isso custe concessões ao seu antigo discurso moralista.
“O alinhamento tácito com a bancada do PL mostra que a pauta anticorrupção de Moro agora passa pelo filtro das conveniências partidárias no Congresso.”
Cálculo eleitoral e desgaste institucional
Ao terceirizar qualquer desconforto para a conta de Lula, o senador paranaense ganha sobrevida entre os correligionários, mas aprofunda o ceticismo de setores técnicos e moderados em Brasília. O silêncio sobre o Banco Master expõe os limites da atuação de Moro quando os escândalos rondam o próprio campo político.