Flávio Bolsonaro (PL) entrou em campo na noite desta segunda-feira (28) para estancar a crise aberta com o eleitorado católico. O candidato ao Planalto agendou presença em um podcast voltado ao segmento religioso horas após tensionar diretamente a relação com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Operação de contenção após ofensiva sem provas
O atrito teve início quando o senador afirmou, sem apresentar provas, que o PT articulou uma campanha de desinformação com suposta colaboração interna da CNBB. A tese disseminada nas redes atribuía à direita um plano inexistente para revogar o título de Padroeira do Brasil concedido a Nossa Senhora Aparecida. Não há no Congresso Nacional qualquer proposta protocolada ou mobilização de bancadas evangélicas nesse sentido.
A reação da CNBB foi imediata, destacando em nota oficial que o combate à mentira não se faz com a criação de novos factoides. Pressionado, Flávio recuou do confronto direto com a entidade e buscou reinterpretar o posicionamento dos bispos.
“Eu estava esperando a nota da CNBB e saiu hoje. Foi muito boa a nota dela, esclarecedora, porque confirma que essa questão de Nossa Senhora Aparecida deixar de ser a padroeira do Brasil é uma grande mentira, é a maior fake news dessa campanha.”
Judicialização e termômetro eleitoral
O entrevero não ficou restrito ao palanque e escalou rapidamente para as cortes superiores, gerando acionamentos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Supremo Tribunal Federal (STF). A movimentação reflete a volatilidade do tabuleiro eleitoral em um momento de equilíbrio absoluto.
- Empate rigoroso no segundo turno: Lula 42% x 42% Flávio Bolsonaro (Quaest).
- Ofensiva jurídica: TSE e STF foram provocados a conter a disseminação de narrativas religiosas desinformativas.
- Recuo tático: campanha governista busca neutralizar a rejeição no eleitorado católico não alinhado ao bolsonarismo raiz.
- Inexistência de projetos: Congresso não tem matérias legislativas sobre alteração do status da padroeira nacional.
Impacto na reta final da disputa
Com a pesquisa Quaest indicando empate numérico em 42% entre Flávio e Lula, cada fração do eleitorado religioso passa a definir o teto eleitoral dos candidatos. A ida ao podcast católico marca a urgência da campanha do PL em desarmar o flanco aberto com os bispos antes que o tema contamine bases moderadas cruciais para a vitória.