A duas semanas do primeiro turno, o funil financeiro da campanha eleitoral no Paraná atinge o ponto crítico. Levantamento exclusivo da redação revela que 140 candidatos no estado operam com menos de R$ 1 mil declarados em suas contas de campanha. O quadro expõe o abismo entre os nomes prioritários das executivas partidárias e os concorrentes que servem apenas para compor chapa.
Raio-x da asfixia financeira nas proporcionais
A escassez de recursos atinge principalmente as disputas legislativas. As cúpulas estaduais e nacionais concentraram as verbas públicas nos chamados 'puxadores de voto' e em parlamentares com mandato, deixando a base sem suporte para material gráfico, equipe de rua ou impulsionamento digital.
- 89 candidatos a deputado estadual contam com saldo inferior a R$ 1 mil a 14 dias do pleito.
- 48 candidatos a deputado federal enfrentam o mesmo estrangulamento financeiro.
- 3 candidaturas a outros cargos proporcionais e majoritários operam com caixa zerado.
- Legendas de médio e pequeno porte concentram o maior número de campanhas desidratadas.
“A distribuição dos fundos Eleitoral e Partidário pelas executivas favorece a manutenção de mandato das bancadas existentes e asfixia a renovação real no Congresso e na Alep.”
Impacto no quociente e riscos jurídicos
O descompasso financeiro acende alertas nos bastidores jurídicos de Curitiba e Brasília. Além de comprometer o desempenho dos partidos no quociente eleitoral, candidaturas sem movimentação financeira real entram na mira da Justiça Eleitoral por suspeita de descumprimento de cotas de gênero e registros fictícios de campanha.