Augusto Cury (Avante) abriu fogo contra os polos tradicionais da disputa presidencial ao tentar redefinir o espectro político de Brasília. O candidato atacou o clã Bolsonaro pela direita, questionou as medidas econômicas do Palácio do Planalto e mirou uma reforma profunda na estrutura do Supremo Tribunal Federal (STF).
Disputa pela base conservadora e ataque ao PL
A movimentação de Cury busca capturar o eleitorado de centro-direita desiludido com o bolsonarismo. Ao classificar o senador Flávio Bolsonaro (PL) como uma figura distante do conservadorismo tradicional, o candidato tenta se consolidar como a alternativa de gestão liberal e Estado enxuto.
“Eu quero dizer para você que Flávio não é tanto de direita, não, viu? Centro até para a esquerda.”
Cury também apontou resistência do adversário ao debate público e ao contraditório, traçando uma linha divisória entre seu projeto econômico e a condução política adotada pelo Partido Liberal.
Reformulação do STF e mandato fixo para ministros
O plano institucional de Cury atinge diretamente o desenho do Judiciário. A estratégia prevê articulação com o presidente do STF, Edson Fachin, para restringir a exposição midiática dos julgamentos da Corte e encaminhar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) ao Congresso Nacional.
- Fixação de mandatos de 8 anos para ministros do STF, sem recondução;
- Fim das transmissões ao vivo dos julgamentos em plenário;
- Envio dos registros das sessões exclusivamente aos advogados e partes dos processos;
- Interrupção de permanências prolongadas até o limite compulsório de 75 anos.
Segurança integrada e resgate de Daiello
Nos bastidores da segurança pública, o candidato articula o retorno do delegado Leandro Daiello, ex-diretor-geral da Polícia Federal durante as fases decisivas das grandes operações federais. A proposta prevê a entrega do comando da corporação ou a chefia de um eventual Ministério da Segurança ao ex-diretor, além da construção de dois novos presídios federais de segurança máxima.
Ofensiva eleitoral contra o Planalto
Cury também elevou o tom contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao contestar o reajuste de 15% no Bolsa Família autorizado às vésperas da votação. O candidato classificou a alteração orçamentária como manobra eleitoreira focada na vulnerabilidade social, apontando que correções de renda deveriam ocorrer no início do exercício fiscal, e não no calendário das urnas.