O confronto direto entre postulantes ao Senado por São Paulo expôs o nó central da governabilidade em Brasília: o controle sobre o Orçamento da União e o desequilíbrio entre os Três Poderes. Enquanto as cadeiras reservadas a Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL) permaneceram vazias, os presentes colocaram no centro da mira as emendas impositivas e a conduta de ministros do Supremo Tribunal Federal.
A disputa pelo cofre: Propostas para R$ 50 bilhões em emendas
O mecanismo orçamentário aprovado em 2015 virou o principal alvo de divergência. Marina Silva (Rede) classificou as emendas impositivas como usurpação do Executivo e prometeu uma Proposta de Emenda à Constituição para extinguir a obrigatoriedade dos pagamentos. Simone Tebet (PSB) apontou a presença de atravessadores no repasse a municípios e defendeu divisão automática de recursos.
- Marina Silva: PEC para extinguir o modelo impositivo e devolver a gestão de quase R$ 40 bilhões ao Executivo.
- Simone Tebet: Fim de emendas sem rastreabilidade, destinando 50% para a saúde e 50% ao Fundo de Participação dos Municípios.
- Soninha Francine: Manutenção das emendas com fim da execução obrigatória cega, permitindo avaliação técnica do governo.
- Geraldo Rufino: Sigilo zero, fiscalização obrigatória na ponta pelo parlamentar e auditoria direta por entidades da sociedade civil.
“A relação virou caso de polícia, de cadeia, de conivência com o crime. O Senado terá de agir caso o Supremo não tome providências diante de suspeitas envolvendo ministros da Corte.”
Ofensiva sobre o Judiciário e freio na presidência do Senado
A revisão das prerrogativas do STF uniu diferentes alas da mesa. Tebet e Marina defenderam a instituição de mandatos por tempo determinado para ministros da Suprema Corte, idade mínima de ingresso e criação de um estatuto de ética. A candidata do PSB foi além ao cobrar o fim de salários acima do teto constitucional e a paridade de gênero no tribunal.
A concentração de poder na Mesa Diretora do Senado também entrou na pauta. Soninha Francine e Geraldo Rufino criticaram o poder monocrático conferido ao presidente da Casa para engavetar Comissões Parlamentares de Inquérito e pedidos de impeachment, defendendo regras que retirem da presidência o controle exclusivo sobre o que vai a plenário.
Impacto no tabuleiro eleitoral
A ausência coordenada de nomes alinhados à base governista estadual deixou o flanco livre para que a oposição e candidaturas independentes pautassem a agenda institucional do próximo ciclo legislativo. A pressão por reformas nas emendas e no Judiciário ditará as negociações de bancada no Congresso a partir de 2026.