O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou a campanha de rua em São Paulo elevando deliberadamente a voltagem política. No último ato ao lado de Fernando Haddad na Rua Augusta, o petista partiu para o confronto direto ao classificar o grupo adversário como uma engrenagem ligada ao crime organizado, comandada por um 'chefe de quadrilha'.
Ataque velado a Flávio Bolsonaro e tática de polarização
Sem citar nominalmente o senador Flávio Bolsonaro (PL), o Planalto calibrou o discurso para consolidar a rejeição do adversário nas últimas horas antes da votação. A estratégia busca blindar a base e empurrar o pleito para uma definição em primeiro turno, explorando a divisão entre blocos antagônicos.
“De um lado a democracia e a soberania, do outro lado a barbárie e a corrupção. Do outro lado nós estamos trabalhando com um chefe de quadrilha. Estamos trabalhando contra crime organizado. Por isso, nós vamos precisar da força de vocês.”
Guerra de narrativas: Previdência e o caso Daniel Vorcaro
O palanque paulistano também serviu para desarmar a ofensiva da oposição sobre as investigações no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Lula rebateu as acusações que miravam seu núcleo familiar e transferiu o ônus do escândalo para o governo anterior.
- Ofensiva governista: Lula atribuiu a gênese das irregularidades na Previdência à gestão de Jair Bolsonaro.
- Disputa de versões: Flávio Bolsonaro vinha utilizando o episódio para atingir Fábio Luís Lula da Silva, ligação rechaçada pela defesa técnica.
- Conexões sob escrutínio: O banqueiro Daniel Vorcaro, alvo de pedidos de indiciamento em relatórios da CPMI, teve audiência fora da agenda com o Executivo no final de 2024.
Mobilização de rua e foco na abstenção
Além do enfrentamento verbal, a articulação da campanha direcionou esforços para combater a abstenção, com foco no eleitorado sênior. O comando partidário convocou a militância para ocupar a Avenida Paulista ao término da apuração, apostando em tração máxima até o fechamento das urnas.