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Rio da Prata volta a ter água depois de duas semanas seco, mas 4 km continuam isolados em MS

Chuvas de até 42 mm em Jardim (MS) começaram a elevar o nível do Rio da Prata, mas o volume ainda não é suficiente para reconectar o leito, seco há mais de duas semanas.

Imagem de capa sobre a chuva que trouxe alívio parcial ao Rio da Prata, em Mato Grosso do Sul.

As primeiras pancadas de chuva em Jardim, no interior de Mato Grosso do Sul, trouxeram algum alívio para o Rio da Prata, mas ainda não bastaram para reverter o cenário crítico enfrentado pelo curso d'água. Foram registrados 21 mm nas cabeceiras e 42 mm na região da Ponte Cure, volume suficiente para fazer surgir um fio de água onde antes só havia solo rachado.

Segundo Nisroque Soares, coordenador do Instituto Guarda Mirim Ambiental (IGMA), a conectividade do rio segue interrompida em um trecho de 4 quilômetros, apesar da leve elevação do nível hídrico. A expectativa agora é de que novas chuvas previstas para o fim de semana ajudem a completar essa reconexão.

Antes das primeiras precipitações, o trecho que abriga uma das águas mais transparentes do ecoturismo mundial chegava a lembrar uma estrada de terra — resultado de uma estiagem severa que já durava mais de duas semanas. Em pontos onde a profundidade costumava alcançar 5 metros, restavam apenas formações de calcário e poças isoladas.

A seca colocou a fauna local em risco: cerca de 200 peixes de diferentes espécies precisaram ser resgatados das poças remanescentes e transferidos para áreas onde a água ainda corria, enquanto outros grupos seguem sob monitoramento. "Os impactos são imensuráveis, tanto para a fauna quanto para as espécies de peixes do local. A conectividade do rio e o ecossistema ficam todos prejudicados. Vale para a flora e para um todo, toda a biodiversidade e as propriedades às margens são prejudicadas pela falta de água", afirma Nisroque.

Com cerca de 90 quilômetros de extensão, o Rio da Prata mantém fluxo contínuo nas partes alta e baixa, onde existem nascentes ativas. É justamente no trecho central, na divisa entre Bonito e Jardim — área sem nascentes diretas —, que a calha fica mais vulnerável às secas extremas. Nesse ponto, a régua de medição, que costuma marcar entre 80 e 90 centímetros em dias normais e passa dos 200 centímetros em cheias, chegou a zerar completamente antes das últimas chuvas.

Trata-se do terceiro ano seguido em que o rio sofre interrupção de curso — em 2023, o trecho seco chegou a 11 quilômetros — em um fenômeno que antes se repetia a cada 25 anos e hoje se tornou frequente. Para conter os danos, voluntários e entidades atuam no plantio de vegetação nativa e na construção de barreiras de pedra em drenos, enquanto o Ministério Público de Mato Grosso do Sul acompanha o caso por meio de um inquérito civil aberto em 2024. Mesmo com o trecho afetado, os passeios turísticos nas demais extensões do rio seguem funcionando normalmente.

Com informações do G1.

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