O Brasil permanece entre os países com pior desempenho no Pisa, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), aplicado a estudantes de 15 anos em 91 países e economias. Na edição de 2025, com resultados divulgados nesta terça-feira (8), o país ficou em 52º lugar em leitura, 57º em matemática e 67º em ciências, além de 69º na resolução de problemas computacionais — competência avaliada pela primeira vez.
Entre os países latino-americanos, considerando as quatro competências, Chile, Uruguai e Costa Rica tiveram pontuação superior à do Brasil nas quatro áreas. O Brasil somou 409 pontos em ciências, 408 em leitura, 377 em matemática e 406 em resolução de problemas computacionais, enquanto o Chile alcançou 442, 436, 403 e 466 pontos respectivamente; o Uruguai, 445, 423, 405 e 462; e a Costa Rica, 424, 416, 387 e 452.
Entre os 13 países latino-americanos avaliados, o Brasil ficou atrás de cinco em ciências (Chile, Uruguai, Costa Rica, México e Colômbia), de seis em leitura e em matemática (os mesmos cinco mais o Peru) e de sete em resolução de problemas computacionais (os seis anteriores mais o Equador).
A comparação regional é dificultada pelo caráter voluntário da participação no exame, que varia a cada edição — o Panamá, por exemplo, participou em 2022 mas não em 2025, enquanto o Equador estreou na edição mais recente. Ainda assim, é possível comparar diretamente o desempenho brasileiro entre as duas edições: o país subiu de 403 para 409 pontos em ciências, mas caiu de 410 para 408 em leitura e de 379 para 377 em matemática. Como a resolução de problemas computacionais não foi avaliada em 2022, não há como comparar esse indicador entre as edições.
Entre as quatro competências, a pior posição brasileira está em resolução de problemas computacionais (69º lugar entre 91 participantes), enquanto a melhor é em leitura (52º lugar). Os melhores resultados globais seguem concentrados no Leste Asiático: China e Cingapura lideram em ciências, leitura e matemática, e, somando a resolução de problemas computacionais, Macau, Cingapura, China e Japão também se destacam.
A avaliação é aplicada a cada três anos por meio de prova padronizada a estudantes de 15 anos — em 2025, cerca de 760 mil alunos, representando 33 milhões de jovens, participaram em 91 países e economias, sendo avaliados em ciências, leitura, matemática e, pela primeira vez, resolução de problemas computacionais.
O Pisa também investigou o uso de inteligência artificial pelos estudantes: até 2025, 86% dos participantes globais afirmaram já ter usado chatbots como o ChatGPT em ao menos uma atividade escolar, seja para ajudar a aprender, fazer pesquisas preliminares, escrever textos ou resumir leituras — sendo 'ajudar a aprender' o uso mais comum. No Brasil, 48% dos alunos usam chatbots semanalmente para aprender (ante 46% na média da OCDE), 40% para pesquisas preliminares (ante 31%), 31% para resumir textos (ante 30%) e 27% para redigir rascunhos (ante 29% na média).
A relação entre uso de IA e desempenho não é simples, segundo o relatório: em geral, estudantes que não usavam chatbots para tarefas escolares tiveram notas mais altas do que os usuários. Ainda assim, entre quem usava a IA para 'ajudar a aprender', o uso moderado produziu desempenho ligeiramente melhor do que o uso raro ou muito intensivo — padrão que se repete em tarefas como resumir textos e fazer pesquisas preliminares. O próprio Pisa ressalva que esses dados não permitem concluir que a IA cause melhora ou piora no desempenho, e aponta que estudantes que não usam IA tendem a vir de contextos socioeconômicos mais desfavorecidos, enquanto os usuários mais frequentes tendem a ser mais favorecidos. Na média dos países, cerca de seis em cada dez estudantes disseram ter recebido, na escola, alguma atividade para avaliar a qualidade de informações geradas por IA.
Com informações do G1.
