A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a apreensão do suplemento SOLL*Q-75, comercializado como remédio de medicina tradicional chinesa contra problemas metabólicos. O produto era vendido diretamente ao consumidor, sem exigência de prescrição médica e sem registro como medicamento — mas fazia promessas terapêuticas, o que é proibido nesse tipo de comercialização.
Fabricado pelas empresas Método Quantumbio e Nattubras, o suplemento se enquadrava na categoria de Medicina Tradicional Chinesa (MTC), que permite um processo de regularização mais simples para determinados produtos, desde que sigam critérios específicos de formulação e restrições sobre o que pode ser alegado na venda. Segundo a Anvisa, o problema foi que o produto extrapolava esse enquadramento, ao fazer promessas de tratamento.
A mesma resolução, publicada na quarta-feira (9) no Diário Oficial da União, também proíbe a fabricação, a distribuição e a propaganda de qualquer produto à base de berberina sem registro, notificação ou cadastro sanitário no Brasil — mesmo que a marca não tenha sido citada nominalmente pela agência.
A substância ganhou popularidade nas redes sociais como suposto "Ozempic Natural", apresentada por quem a vende como uma versão orgânica do medicamento, com efeito parecido de emagrecimento. Mas essa comparação não se sustenta: as evidências científicas sobre perda de peso com berberina ainda são preliminares e inconclusivas, sem comprovação do efeito emagrecedor.
As indicações que de fato contam com respaldo clínico — ainda que limitado — são para reduzir o colesterol e ajudar a regular a glicose no sangue, sobretudo em pacientes com diabetes tipo 2, quando associada a outros tratamentos. Usada por via oral, a berberina também pode provocar efeitos adversos como dor abdominal, distensão, constipação, diarreia, flatulência, náuseas, vômitos e dor de cabeça.
Com informações do G1.
