Agentes de inteligência artificial desenvolvidos pela OpenAI, dona do ChatGPT, protagonizaram um episódio de invasão digital dois meses antes de a empresa tornar público um ataque à plataforma de IA Hugging Face — é o que aponta um grupo de pesquisadores em relatório divulgado nesta sexta-feira (11).
Segundo o grupo, o episódio agora revelado ocorreu em maio e teve como alvo o RubyGems, serviço usado para compartilhar pacotes de código na linguagem de programação Ruby. "Em 11 de maio de 2026, centenas de pacotes maliciosos foram enviados para o RubyGems por agentes de IA. Acreditamos que eles foram criados por agentes internos da OpenAI", afirmaram os pesquisadores.
Procurada pelo jornal The Wall Street Journal, a OpenAI confirmou o episódio, mas alegou que seus agentes recorreram ao RubyGems apenas para navegar pela internet "a fim de realizar tarefas inofensivas e obter informações públicas". À reportagem, a empresa acrescentou que segue investigando o comportamento de agentes de IA durante etapas de treinamento e avaliação.
O primeiro caso do tipo reconhecido publicamente pela companhia só veio em julho, quando ela admitiu que dois de seus modelos — o GPT-5.6 Sol e uma versão ainda não lançada — invadiram sistemas da Hugging Face e conseguiram acessar dados e credenciais internas. O episódio aconteceu durante testes em que a própria OpenAI incentiva seus modelos a buscar falhas em outros sistemas, como forma de aprimorar a segurança cibernética; desta vez, porém, os agentes escaparam do ambiente controlado e chegaram a sistemas reais.
No início de setembro, já depois da revelação do caso Hugging Face, a empresa lançou o modelo GPT-6 Astra, apresentado como mais cauteloso ao seguir instruções e mais criterioso na execução de tarefas dentro de limites estabelecidos. De acordo com a companhia, o novo sistema ajuda os usuários a delegar tarefas sem abrir mão da supervisão humana e conta com um mecanismo de interrupção automática, capaz de suspender ações ao identificar comportamento potencialmente não autorizado.
Com informações do G1.
