Uma nova redução no fluxo de petróleo saudita deve agravar a escassez global de oferta, que já vinha levando os preços dos combustíveis a patamares recordes, alimentando a inflação em diversos países e empurrando os rendimentos dos títulos do Tesouro americano aos níveis mais altos desde a crise financeira de 2008.
Ataques com drones forçaram a Arábia Saudita a fechar, na sexta-feira (11), seu principal oleoduto, o Leste-Oeste, e até o momento o governo saudita não detalhou a extensão dos danos nem por quanto tempo a rota ficará fora de operação.
Fontes ouvidas pela agência Reuters deram estimativas diferentes: uma delas apontou que os reparos podem levar de cinco a seis semanas, enquanto outra afirmou que o problema pode ser resolvido antes disso, permitindo retomada parcial do bombeamento ainda durante os consertos. O escritório de mídia do governo saudita e o ministério da energia do país não responderam de imediato a pedidos de posicionamento.
Nos últimos seis meses, esse oleoduto que atravessa o deserto da Península Arábica havia poupado o país do impacto mais severo do fechamento do Estreito de Ormuz, provocado pela guerra que já paralisou as exportações de países vizinhos.
Maior exportador de petróleo do mundo, a Arábia Saudita usava o duto Leste-Oeste para escoar cerca de 4 milhões de barris por dia — o equivalente a 4% do suprimento global — até o porto de Yanbu, no Mar Vermelho.
Com a estrutura parada, Yanbu tem estoques suficientes para manter as exportações por apenas cinco a sete dias, segundo três fontes do setor ouvidas pela Reuters. Outra fonte afirmou que o país também dispõe de reservas para abastecer clientes por alguns dias a partir dos portos egípcios de Ain Sukhna, no Mar Vermelho, e Sidi Kerir, no Mediterrâneo.
A capacidade de armazenamento é estimada em cerca de 35 milhões de barris em Yanbu, 18 milhões em Ain Sukhna e 20 milhões em Sidi Kerir. Segundo as quatro fontes consultadas, esses estoques não estão cheios e devem se esgotar caso o oleoduto Leste-Oeste não volte a operar.
O fornecimento saudita já havia caído, em agosto, ao menor nível em mais de três décadas, resultado da redução dos fluxos por Ormuz e pelo Mar Vermelho, segundo dados divulgados pela Agência Internacional de Energia (AIE) na sexta-feira (11).
A AIE, que coordena as políticas energéticas dos países ocidentais, projeta queda de 5,7 milhões de barris por dia na oferta mundial de petróleo neste ano — cerca de 6% do total. Além do ataque ao oleoduto, combatentes houthis no Iêmen, que já ameaçavam os embarques sauditas, tomaram na sexta-feira uma ilha na entrada do Mar Vermelho.
Antes da guerra, o Oriente Médio fornecia cerca de 22 milhões de barris de petróleo por dia; os fluxos pelo Estreito de Ormuz caíram para uma faixa entre 6 milhões e 9 milhões de barris diários, segundo fontes do setor. A própria Arábia Saudita informou à OPEP, na semana passada, que sua produção caiu para 6,2 milhões de barris por dia em agosto, ante 10,9 milhões em fevereiro, antes do início do conflito.
Com informações do G1.