O retorno do fenômeno climático El Niño entrou no radar direto do Comitê de Política Monetária (Copom). Economistas consultados pelo Banco Central estimam que anomalias térmicas e de precipitação podem adicionar até 0,5 ponto percentual à inflação oficial brasileira, com reflexos estendidos até 2027.
Gargalo produtivo no Paraná e pressão sobre Paranaguá
O principal canal de transmissão desse choque é a quebra de produtividade nas lavouras de grãos do Centro-Sul, com foco no Paraná. O descompasso entre estiagens severas e excesso de chuvas altera o calendário da soja e do milho safrinha, elevando o custo de frete e desregulando o fluxo de exportações pelo Porto de Paranaguá.
- Impacto inflacionário projetado: acréscimo de até 0,5 ponto percentual no IPCA.
- Setores mais vulneráveis: alimentação no domicílio, combustíveis e frete rodoviário.
- Logística portuária: risco de fila de navios e demurrage elevada no Corredor de Exportação de Paranaguá.
- Taxa Selic: redução do espaço para cortes de juros pelo Banco Central frente a choques de oferta.
“O risco climático deixou de ser variável secundária e passou a compor o núcleo duro das decisões de juros no país.”
Gestão de risco e posicionamento de mercado
Para produtores e investidores, o cenário exige ampliação de travas cambiais e operações de hedge em commodities. A volatilidade climática exigirá disciplina financeira para suportar elevação nos custos de insumos e manter a rentabilidade operacional frente à rigidez monetária do Banco Central.