A discussão sobre estratégias de combate à violência urbana voltou ao centro do debate na Região Metropolitana de Curitiba. Propostas recentes buscam reeditar o modelo de força-tarefa de segurança pública implementado em 2019, iniciativa que deixou um rastro de resultados negativos na rotina dos municípios vizinhos à capital.
Os números da força-tarefa em São José dos Pinhais
Nossa apuração analisou os dados consolidados do projeto piloto executado durante a gestão de Sergio Moro no Ministério da Justiça. Um ano e oito meses após o início das operações especiais, a criminalidade violenta avançou em vez de recuar.
- 2019: Lançamento do programa federal de segurança com reforço de efetivo em São José dos Pinhais.
- 2020: Salto de 14% nos índices de homicídios consumados no município durante a vigência do plano.
- Descontinuidade: Falta de integração duradoura entre patrulhamento ostensivo e serviços municipais de inteligência.
Impacto direto na segurança dos bairros
Moradores e comerciantes dos bairros mais afastados do centro de São José dos Pinhais e das divisas com Curitiba enfrentaram a oscilação rápida do policiamento. O reforço concentrado em áreas específicas empurrou ocorrências para zonas desprovidas de monitoramento básico e iluminação pública eficiente.
“Ações pontuais de choque sem integração contínua com os serviços urbanos e forças locais falham em produzir segurança sustentável nos bairros da região metropolitana.”
Desafios para as políticas públicas na RMC
A eventual reaplicação do modelo exige revisão técnica pelos órgãos de segurança do Paraná. Sem investimento em investigação local, iluminação, transporte e resposta rápida a chamados de emergência, a Grande Curitiba corre o risco de repetir despesas públicas sem redução efetiva da violência.