A Polícia Federal abriu uma frente de apuração sobre a operação de crédito concedida pelo Banco de Brasília (BRB) ao senador Flávio Bolsonaro. O financiamento de R$ 3,1 milhões viabilizou a compra de uma mansão de 2,4 mil metros quadrados no Setor de Mansões Dom Bosco, área nobre da capital federal, avaliada em R$ 6 milhões.
Juros reduzidos e quitação acelerada
O contrato firmado em 2021 estabeleceu taxa de juros de 3,71% ao ano, percentual inferior à média de 4,85% praticada pela própria instituição financeira no período. Embora o plano original previsse 360 parcelas mensais, o saldo devedor foi integralmente quitado em apenas três anos.
- Valor total do imóvel: R$ 6 milhões
- Total financiado via BRB: R$ 3,1 milhões
- Taxa de juros do contrato: 3,71% ao ano (média do banco era de 4,85%)
- Prazo contratual: 30 anos (360 meses)
- Tempo real de quitação: 3 anos
Conexão com fraudes bancárias e auditoria interna
A linha de crédito integra um inquérito mais amplo focado nas relações entre a antiga cúpula do BRB e o Banco Master. Na época da liberação dos recursos, o banco público era comandado por Paulo Henrique Costa, detido em investigações sobre fraudes financeiras. As inconsistências da operação constam em relatório de auditoria independente entregue à PF em fevereiro.
“A transação foi legal, resultado da venda do imóvel onde eu morava e da participação em uma loja de chocolates.”
Capacidade financeira e manifestações
Durante as primeiras contestações sobre a compra, o parlamentar apresentou declaração de renda mensal de R$ 56 mil, somando os vencimentos do Senado e receitas complementares. O senador e o BRB foram procurados pela redação para comentar o avanço do inquérito, mas não enviaram resposta até a publicação.