A Polícia Nacional do Peru prendeu Jorge Darwin Villalobos Cruz, acusado de envolvimento direto no assassinato de sua ex-companheira, Patrícia Cristina do Nascimento. O crime ocorreu em janeiro de 2024, em Curitiba, e chocou a capital paranaense pela brutalidade. O filho da vítima, uma criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA) que tinha 10 anos na data do fato, estava dentro da residência e presenciou as agressões contra a mãe.
Localização e captura internacional
O acusado, de nacionalidade peruana, foi localizado e abordado pelas autoridades no distrito de San Mateo, província de Chumbivilcas, região de Cusco, enquanto exercia atividade de segurança privada. O mandado de prisão foi expedido pela 2ª Vara do Tribunal do Júri de Curitiba.
Jorge respondia ao processo em liberdade, mas violou as medidas cautelares impostas pela Justiça paranaense e deixou o território brasileiro em 2025. Diante da fuga, seu nome foi incluído na lista de Difusão Vermelha da Interpol, que mobilizou forças policiais de 196 países até sua captura.
Disputa por guarda e execução do crime
As investigações apontam que Jorge e Patrícia mantiveram uma união por cerca de oito anos. Após a separação, o homem iniciou relacionamento com Rosicleia de Souza, interrompeu o pagamento da pensão alimentícia do filho e passou a disputar judicialmente a guarda da criança.
No dia do homicídio, após desentendimentos por mensagens, Jorge conduziu Rosicleia e a filha adolescente dela até o endereço de Patrícia. Segundo a denúncia do Ministério Público, Jorge indicou o imóvel onde Rosicleia entrou em confronto físico com a vítima e a golpeou fatalmente com uma faca. Rosicleia foi detida em flagrante à época, mas obteve liberdade provisória e responde ao processo em liberdade.
- Crime ocorrido em Curitiba em janeiro de 2024, motivado por desavenças sobre pensão e guarda.
- Acusado fugiu para o Peru após descumprir restrições judiciais no Paraná.
- Inclusão na lista vermelha da Interpol resultou na prisão em Cusco.
- Processo aguarda inclusão em pauta na 2ª Vara do Tribunal do Júri da capital.
Posicionamento das partes
“A captura do suspeito no Peru representa uma vitória expressiva da justiça e da cooperação internacional. Aguardamos que o processo de extradição ocorra com a celeridade necessária para que o acusado responda rigorosamente perante o Tribunal do Júri.”
A manifestação acima foi emitida pelos advogados Samir Mattar Assad e Gessika Cristine Bonetto, representantes da família da vítima. Já a defesa de Jorge Darwin Villalobos Cruz, conduzida pelo advogado Jean Paulo Pereira, declarou que o réu deixou o Brasil motivado por ameaças de morte e mantinha ocupação lícita no exterior, informando que acionou a representação consular para avaliar a viabilidade jurídica da extradição de peruanos natos.
Trâmites para extradição
O Ministério Público do Paraná já deu início aos requerimentos formais para obter a extradição de Jorge ao Brasil. O objetivo é assegurar a presença do réu no plenário do Tribunal do Júri em Curitiba, onde será julgado pelas acusações de feminicídio e coautoria no crime.