A apuração sobre suspeitas de desvio de recursos públicos na implantação de serviços de internet avançou para a esfera federal. O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal realize nova perícia detalhada em todo o acervo apreendido na Operação Wi-Fi, originalmente conduzida em São Paulo.
Contrato de R$ 108 milhões e celulares retidos
Os peritos federais em Brasília reexaminam documentos, computadores e celulares que estavam sob custódia estadual. Entre os aparelhos está o da empresária Karina Ferreira da Gama, presidente do Instituto Conhecer Brasil (ICB) e sócia da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme 'Dark Horse'. O ICB detinha contrato de R$ 108 milhões anuais para instalação de sinal de internet em áreas periféricas.
- Custo por ponto: contrato firmado a R$ 1.800 por ponto de internet, valor superior aos R$ 230 praticados pela empresa pública Prodam.
- Diferença financeira: repasse de R$ 69 milhões efetuado, com apontamento de R$ 26 milhões pagos por serviços não executados.
- Meta não cumprida: desaceleração nas implantações deixou 1.800 pontos previstos sem entrega para a população.
- Inquérito no STF: investigação sobre lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção no financiamento da produção cinematográfica.
“Há consistentes suspeitas de confusão patrimonial e de que os recursos públicos do programa tenham sido desviados para custear as atividades de produção do referido filme, utilizando contas de empresas subcontratadas.”
Auditoria técnica e próximos passos
A perícia da Polícia Federal busca rastrear o fluxo financeiro entre o fornecimento de serviços urbanos e as contas das produtoras envolvidas. O material técnico subsidiará os inquéritos em curso no STF que apuram a regularidade na aplicação dos orçamentos públicos e a prestação dos serviços contratados.