Uma sequência de estragos causados pela chuva marcou a segunda semana de setembro no Paraná. Em Ponta Grossa, nos Campos Gerais, uma família morreu soterrada, enquanto em outras regiões do estado casas ficaram sem telhado e bairros inteiros alagaram.
Levantamento feito com base em dados do Simepar mostra que, em apenas dois dias — quarta (9) e quinta-feira (10) —, algumas cidades já haviam acumulado a média histórica de chuva esperada para o mês inteiro de setembro.
Entre segunda (7) e quinta-feira (10), os maiores volumes de chuva foram registrados em Campo Mourão, no centro-oeste do estado (119,2 mm), Ponta Grossa, nos Campos Gerais (111,2 mm), União da Vitória, no extremo sul (110,4 mm), Inácio Martins, na região central (107,8 mm), e Pato Branco, no sudoeste (102,4 mm).
Para classificar a intensidade dos temporais, o Simepar usa uma escala baseada no acumulado de 6 horas: abaixo de 0,2 mm a chuva nem é contabilizada; entre 0,3 mm e 2,5 mm é considerada chuvisco; de 2,5 mm a 10 mm, chuva fraca; até 25 mm, moderada; até 50 mm, forte; e acima disso, extrema.
O volume de chuvas acima da média já era esperado pelo próprio Simepar para este mês de setembro, e um dos fatores apontados pelos meteorologistas é a influência do fenômeno El Niño.
Segundo o órgão, historicamente o Norte Pioneiro, os Campos Gerais e a Região Metropolitana de Curitiba recebem entre 100 mm e 125 mm de chuva em setembro. Já as regiões Oeste, Noroeste, Central e o Litoral costumam registrar entre 125 mm e 150 mm, enquanto Faxinal, Sudoeste e Sul apresentam os volumes historicamente mais altos: entre 150 mm e 175 mm.
Um balanço divulgado pelo Simepar na manhã desta sexta-feira (11) lista as estações meteorológicas que já haviam superado a média climatológica do mês nos dez primeiros dias de setembro: Antonina, APPA Antonina, Cambará, Campo Mourão, Cerro Azul, Cornélio Procópio, Curitiba, Fazenda Rio Grande, Jaguariaíva, Lapa, Loanda, Londrina, Ponta Grossa, Guaraqueçaba, Santo Antônio da Platina e Telêmaco Borba.
Já no fim de agosto, o Simepar havia antecipado que setembro seria marcado por chuvas acima da média, em razão da passagem de sucessivas frentes frias pelo estado e da atuação de sistemas de baixa pressão. O órgão explica que setembro marca a transição entre inverno e primavera — que oficialmente começa às 21h05 do dia 22 —, período em que se alternam episódios de frio, com geadas pontuais em regiões mais frias, e momentos de forte elevação das temperaturas.
Com o avanço da primavera, o calor combinado à maior disponibilidade de umidade favorece pancadas de chuva e tempestades, principalmente à tarde. Frentes frias e áreas de baixa pressão seguem como os principais responsáveis pela instabilidade, podendo gerar temporais e volumes de chuva pontualmente elevados.
Para 2026, a influência do El Niño — ativo desde junho no Oceano Pacífico Equatorial — reforça a expectativa de chuva acima da média em todas as regiões do Paraná, principalmente na primeira quinzena de setembro, marcada pela passagem sucessiva de frentes frias. O Simepar ressalta ainda que, apesar da maior nebulosidade tender a manter as temperaturas dentro ou abaixo da média em boa parte do estado, o mês deve ter grande variação térmica, intercalando frio e possíveis geadas com períodos de calor e sensação de abafamento.
Com informações do G1.

