A segurança pública lidera as preocupações do eleitorado para as eleições de 4 de outubro. Os planos de governo protocolados pelos 13 candidatos à Presidência da República trazem abordagens distintas que vão desde medidas inspiradas no modelo carcerário de El Salvador até a desmilitarização de corporações, com impactos diretos no policiamento de bairros, na proteção de mulheres e na contenção de furtos na rotina de Curitiba e Região Metropolitana.
Foco no crime organizado e reflexos nas cidades
O enfrentamento a facções divide os planos em três frentes principais: asfixia financeira, enquadramento por terrorismo com presídios de segurança máxima e reestruturação institucional das forças policiais.
- Classificação como terrorismo e 'narcoterrorismo': Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante) defendem tratar facções sob leis antiterror, com aumento de penas e retomada territorial.
- Inspiração em El Salvador e superpresídios: Flávio Bolsonaro e Renan Santos (Missão) citam o modelo de Nayib Bukele, propondo unidades federais de isolamento severo e centenas de milhares de novas vagas prisionais.
- Integração federal e sufocamento financeiro: Lula (PT), Clariana Barão (DC) e Wilson Grassi (Democrata) focam na aprovação da PEC da Segurança, criação ou fortalecimento do Ministério da Segurança Pública, confisco de ativos e inteligência em rotas de tráfico.
- Desmilitarização e autodefesa: Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU), Rui Costa Pimenta (PCO) e Samara Martins (UP) defendem unificar ou extinguir a Polícia Militar, descriminalizar drogas e implementar comitês de base comunitária.
Impacto direto no dia a dia: celulares, transporte e monitoramento
Para quem circula pelos terminais de ônibus, eixos comerciais centrais e bairros periféricos, as propostas contemplam medidas operacionais para frear crimes patrimoniais e reforçar a proteção individual.
- Furtos e roubos de rua: ampliação do Programa Celular Seguro (Lula) e uso de inteligência artificial com reconhecimento facial e totens preventivos (Cury, Renan Santos e Avalanche).
- Proteção da mulher: monitoramento intensivo de agressores com tornozeleira (Flávio Bolsonaro, Zema e Caiado) e expansão de casas de acolhimento e vagões exclusivos no transporte coletivo (Leonardo Avalanche).
- Redução da maioridade penal: redução para 16 anos ou punições a partir dos 14 anos para crimes graves (Flávio Bolsonaro e Romeu Zema).
- Maus-tratos e violência doméstica: cruzamento de dados de agressores de animais como alerta preventivo em casos de violência doméstica (Wilson Grassi).
“A definição das diretrizes federais de segurança dita a distribuição de recursos, tecnologia e suporte operacional que chegam ao patrulhamento dos municípios.”
Integração metropolitana e próximos passos
A viabilidade das promessas dependerá de articulação no Congresso Nacional e de parcerias com o governo estadual e as prefeituras da Grande Curitiba. O eleitorado avalia as medidas até a votação do primeiro turno, no dia 4 de outubro.