A recém-nascida que havia sido encontrada abandonada dentro de uma sacola de lixo em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, morreu na manhã desta sexta-feira (11). A confirmação partiu do superintendente do Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Adonis Nasr.
O caso veio à tona depois que a moradora Kátia Andreia Beje encontrou a criança na madrugada do dia 24 de agosto, no bairro Guarituba. Kátia contou que ouviu um barulho e, por ter vários gatos em casa, imaginou de início que se tratava de um filhote ferido.
Ao sair para verificar a origem do som, ela se deparou com uma sacola plástica transparente coberta por uma toalha preta. Foi só ao tocar no volume que percebeu haver uma bebê ali dentro — ainda suja e com o cordão umbilical e a placenta.
Kátia então correu até um vizinho para pedir socorro e acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). A recém-nascida foi levada ao Hospital de Clínicas, em Curitiba, e encaminhada à UTI Neonatal.
De acordo com a instituição, a criança deu entrada com hipotermia grave, além de lesões e duas fraturas. Foi iniciado tratamento com antibióticos, mas o quadro infeccioso se agravou ao longo das semanas seguintes.
"Apesar de todos os cuidados dispensados a ela pela equipe da UTI Neonatal e por todos os especialistas envolvidos neste caso, a bebê não resistiu e morreu no fim da manhã de hoje", informou o hospital em comunicado.
As investigações apontaram uma adolescente de 16 anos como mãe da recém-nascida. Segundo o delegado João Paulo de Souza, responsável pelo caso, ela alegou não saber da gravidez até o momento do parto e disse ter entrado em desespero, acreditando que a criança já estivesse morta.
"Ela alegou que não sabia da gravidez e teria também se surpreendido. Nesse desespero de realmente estar grávida, se desesperou, achou que a criança estivesse morta […] Segundo o alegado, teria escondido dos pais, alegou que fez tudo sozinha, sem ajuda de ninguém, e deixou a criança ali, acreditando estar morta", detalhou o delegado.
Até a morte da bebê, a adolescente poderia responder por ato infracional análogo à tentativa de infanticídio. Com o óbito, a Polícia Civil informou que a tipificação passa a ser de crime consumado, podendo configurar infanticídio ou homicídio qualificado, a depender das circunstâncias apuradas.
Com informações do G1.
